Ir direto para menu de acessibilidade.
Portal do Governo Brasileiro
Início do conteúdo da página

É com satisfação que participo do encerramento deste Seminário Empresarial Brasil-Rússia. O evento cumpre os objetivos de aproximar as respectivas comunidades empresariais e autoridades da área econômico-comercial e de promover maior diálogo, cooperação e negócios. Após as discussões produtivas desta tarde, estão dadas as condições para obter avanços adicionais em setores estratégicos, como os do agronegócio, tecnologia, inovação, energia, infraestrutura e transportes.

Quando a Presidenta da República Dilma Rousseff esteve em Moscou, em 2012, ela e o Presidente Vladimir Putin haviam se comprometido a: (i) incrementar os investimentos mútuos; (ii) explorar complementaridades produtivas e perspectiva de atuação conjunta em terceiros países; (iii) elevar  intercâmbio comercial à cifra anual de US$ 10 bilhões anuais; e (iv) diversificar e aperfeiçoar a pauta comercial, com identificação de oportunidades concretas no âmbito da cooperação econômico-comercial.

É por isso que nos reunimos hoje, neste Seminário Empresarial, para dar novos passos adiante no fortalecimento da relação econômico-comercial. Isso tem ocorrido por meio do mapeamento de oportunidades e da elaboração de sólida agenda de iniciativas que contribuam para o desenvolvimento sustentável das economias do Brasil e da Rússia, com a manutenção dos ganhos sociais.

Ressalto a confiança que deposito nas economias brasileira e russa. A economia russa enfrenta desafios e está em vias de recuperar seu dinamismo de outrora. Com o Brasil, vislumbra-se cenário semelhante. O Brasil promove reequilíbrio fiscal, reordenamento das contas públicas e reorientação das forças produtivas. Isso permitirá a recuperação do crescimento econômico, com geração sustentável de emprego e da renda. Acredito na capacidade de resposta da economia brasileira às medidas de ajuste ora em curso.

O desempenho econômico deve fazer-se acompanhar de progressos na área social. Após doze anos de políticas de inclusão social, o Brasil é hoje um país melhor. Um país em que 40 milhões de brasileiros ascenderam socialmente. O mercado consumidor de classe média chega a mais de 100 milhões de pessoas. Um país com milhares de novos estudantes do ensino fundamental à universidade. Um país com milhares de novas pequenas empresas e empreendedores individuais. Um país com milhares de novos trabalhadores no mercado formal.

É importante ressaltar tais conquistas dos últimos anos, porquanto formam base considerável sobre a qual o Brasil poderá atuar em sua política comercial e de investimentos com a Rússia, a despeito dos desafios do presente.

O Brasil é, hoje, a 7ª economia do mundo, o 2º maior produtor e exportador agrícola, o 3º maior produtor e exportador de minérios, o 5º mercado que mais atrai investimentos estrangeiros, o 7º país em acúmulo de reservas cambiais e o 3º maior usuário de internet. Por isso, o Brasil continua sendo um país com grandes oportunidades de negócios. O Brasil continua sendo um país com instituições sólidas e atuantes, com regras estáveis, uma sociedade livre e democrática.

 

Senhoras e Senhores,

Os números do comércio bilateral são positivos. Sinalizam vasto potencial a ser explorado no intercâmbio de produtos e serviços entre empresas brasileiras e russas. A pauta comercial quase dobrou nos últimos 10 anos e existe espaço para aumentar esse fluxo, até alcançar e ultrapassar a meta estabelecida de US$ 10 bilhões anuais.

Outro objetivo premente diz respeito à diversificação do intercâmbio comercial, além de continuar a apostar nos itens tradicionais do agronegócio. Setores como os de automóveis, tratores, medicamentos, cereais e produtos químicos são promissores. A Rússia é hoje o 16º principal parceiro comercial do Brasil. O esforço é no sentido de tornar a Rússia um dos dez principais parceiros do Brasil.

Valorizo os importantes investimentos russos no Brasil nas áreas de energia, mineração, metalurgia, bem como nas cadeias do agronegócio.

O Brasil também tem investido na Rússia, nos setores alimentar, automotivo, aeronáutico e de automação. Têm sido consolidadas parcerias brasileiro-russas no segmento de transportes e na indústria de defesa.

Compartilho com os empresários aqui presentes o propósito de impulsionar esses e outros investimentos recíprocos, mediante incentivo à criação de parcerias empresariais, principalmente aquelas que promovam a incorporação de novas tecnologias e inovação aos processos de produção.

Reitero convite para que empresas russas sigam investindo no Brasil, sobretudo em setores capazes de melhorar estruturalmente a economia brasileira e de fortalecer a competividade, como nos da infraestrutura e da logística. As empresas russas podem e devem aproveitar as oportunidades oferecidas pela segunda fase do Programa de Investimentos em Logística (PIL), nas áreas de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, com investimentos estimados em quase US$ 60 bilhões. É com satisfação que noto interesse de empresas russas em já atuar nos setores ferroviário e portuário no Brasil.

Também evoco oportunidades na área da saúde, tendo em vista mudança recente na legislação brasileira, que passou a permitir que empresas estrangeiras prestem serviços de saúde. O Governo brasileiro tem envidado esforços para consolidar indústria competitiva na produção de equipamentos médicos, hospitalares, princípios ativos e medicamentos, mediante criação do Complexo Industrial da Saúde.

Evidenciam-se oportunidades de parcerias na área de energia. O Brasil detém expressivos recursos energéticos e poderá aproveitá-los, ainda mais, se contar com a “expertise” russa.

Essas oportunidades se tornam factíveis diante do ambiente de respeito aos contratos, com marcos regulatórios estáveis e previsíveis, decorrentes da prática do que prevê a Constituição Federal de 1988.

O relacionamento econômico-comercial entre Brasil e Rússia é expressivo e dinâmico. É um dos pontos que norteia a Parceria Estratégica, lançada em 2002, reforçada pelos trabalhos sucessivos da Comissão Intergovernamental de Cooperação (CIC) e da Comissão de Alto Nível (CAN), cuja sétima edição terei a honra de presidir, amanhã, do lado brasileiro.

Em outra vertente, a participação conjunta no BRICS só faz reforçar a aproximação econômico-comercial entre os dois países, de que é exemplo o projeto de constituição do Banco do BRICS.

Conclamo as comunidades empresariais a contribuir para o adensamento da parceria brasileiro-russa. Deve-se conduzir a dimensão econômica e empresarial para o centro da agenda bilateral, pois tal dimensão afeta os demais segmentos da cooperação. O engajamento do empresariado em projetos comuns nas áreas comercial e de investimentos concorre para o desenvolvimento social de ambos os povos.

Muito obrigado.

Fim do conteúdo da página