Ir direto para menu de acessibilidade.
Portal do Governo Brasileiro
Início do conteúdo da página

Sérgio Rodrigues: entre a representação e a convivialidade

Ao premiar a Poltrona Mole de Sérgio Rodrigues, em 1961, o júri da Bienal do Móvel de Cantú

considerou-a um modelo com características atuais, não influenciado por modismos e absolutamente representativo da região de origem. Essa fórmula sintetiza a capacidade de Sérgio Rodrigues de criar um estilo moderno, mas inteiramente fiel às suas origens brasileiras. Suas peças de jacarandá torneado, com formas arredondadas e orgânicas, que convidavam o corpo a uma posição de relaxamento e informalidade, eram a expressão, no design, da grande renovação das artes brasileiras dos anos 50 e 60, da arquitetura de Oscar Niemeyer, da Bossa Nova, do Tropicalismo, do Neoconcretismo e do Cinema Novo.

Ao longo da década de 60 Sérgio Rodrigues desenvolveu com o Itamaraty uma frutífera parceria, que resultou em cerca de 25 modelos de móveis, alguns exclusivos, outros que entraram em produção comercial.

A primeira encomenda do Itamaraty, em 1960, antes mesmo da premiação em Cantú, foi a escrivaninha ES-06, concebida para os gabinetes ministeriais em Brasília a pedido de Wladimir Murtinho e Olavo Redig de Campos. Seguiu-se, no mesmo ano, o mobiliário para a Embaixada em Roma.

Com a mudança para Brasília, Sérgio Rodrigues foi convidado a desenhar os móveis para os gabinetes do Palácio Itamaraty. Esse mobiliário atendia a duas funções. Por suas dimensões e opulência, pela estrutura austera de peças pesadas quadradas em jacarandá maciço, pelo estofamento em veludo e couro em tons escuros, como musgo, dourado ou preto, o mobiliário projetava a ideia de autoridade.

Ao mesmo tempo, cada gabinete tinha um conjunto de peças estofadas, um ambiente convivial ideal para discussões informais e francas entre diplomatas brasileiros e visitantes estrangeiros a respeito da atualidade internacional, novas perspectivas de cooperação e todo tipo de interesse comum.

A POLTRONA KIKO

No caso das poltronas, a partir de um princípio básico de assento e encosto sustentados por um quadro de peças retas, Sérgio Rodrigues criou uma linha ainda mais variada. Uma versão de escritório, de espaldar e assento altos, foi pensada para o Ministro das Relações Exteriores e as principais autoridades. Uma versão sem as rodas e com assento mais fundo foi destinada aos conjuntos de estar. Um versão sofá também foi desenhada, mas nunca executada - Sérgio Rodrigues terminou usando móveis da linha comercial da Oca, estofados em veludo. O designer ainda se permitiu experiências, como usar, na estrutura quadrada, assento e encosto em palhinha de outro modelo (a cadeira “Oscar”, modelo PL-07).

Para uso corrente, foi desenvolvida uma peça menor de espaldar baixo e rodízios, que entrou no catálogo da Oca e se tornou um dos produtos mais populares de Sérgio Rodrigues, sob o nome de “Kiko”.

A LINHA 27

Vários móveis de Sérgio Rodrigues utilizavam peças de seção quadrada com botões oxidados. Esses modelos formavam a série 27 do catálogo da Oca. Eram, em geral, versões menores e mais delicadas dos móveis do Itamaraty. O caso mais emblemático é a MB-27, versão comercial, leve, da MB-IT-13, uma mesa com peças de jacarandá de cerca de 15 cm de lado e tampo de mármore de 1,5 m de diâmetro.

Não é possível estabelecer, de forma segura, quais modelos da linha 27 foram criados primeiro para o Itamaraty e depois entraram em produção comercial, e quais já existiam e foram usados nos projetos de interiores do Palácio, com adaptações. A poltrona Kiko e a mesa ME-27 foram seguramente desenvolvidas para O Ministério. No caso do sofá e poltrona 27 desta sala, houve adaptações: as peças de jacarandá são bem mais largas que na versão comercial.

SÉRIE DE ESCRIVANINHAS IT

Para os gabinetes do Itamaraty, Sérgio Rodrigues desenvolveu uma série especial de móveis, que numerou de IT- 01 até IT-17. Todos tinham em comum estrutura em peças de jacarandá maciço, de seção quadrada, com botões de latão oxidado cobrindo os parafusos de fixação. Nesse projeto, Sérgio Rodrigues criou diversas declinações de um mesmo modelo.

No caso das escrivaninhas, foram criadas inicialmente seis variantes de um mesmo desenho básico. Segundo a hierarquia do usuário, foram usadas diferentes dimensões de tampo, número de gavetas e espessura das colunas pernas. Com a inauguração do bloco administrativo, em 1970, e a necessidade de mobiliar os departamentos, Sérgio Rodrigues acrescentou outros modelos à série.

O maior desses modelos foi o IT-17, com tampo de 3m X 1m, para o próprio Ministro das Relações Exteriores, e o menor, o IT-05, de tampo de 1,5m X 0,75m.

PAINÉIS DE PISO

O PROJETO DE ROMA

O Embaixador Hugo Gouthier, que havia acabado de adquirir para o governo brasileiro um palácio barroco na Piazza Navona, onde seria instalada a Casa do Brasil em Roma, com Embaixada, Consulado e setores de promoção turística e comercial, se impressionou com a escrivaninha ES-06 e convidou Sérgio Rodrigues a mobiliar o novo edifício. Sérgio Rodrigues permaneceu vários meses na Itália desenvolvendo novos modelos.

CONVIVIALIDADE

Ao mesmo tempo em que as peças retas em jacarandá maciço das escrivaninhas transmitiam a ideia de autoridade, um conjunto de estofados em cada gabinete oferecia um ambiente adequado para conversas informais, ou como dizia Murtinho, uma “conversa ao pé do ouvido”.

As poltronas e sofás de Sérgio Rodrigues eram ideais para criar essa atmosfera. No Itamaraty, ele adaptou modelos de sua linha comercial, revestindo-os de veludo ou couro.
Bernardo Figueiredo também criou um conjunto de estofados para a Sala do Conselho de Política Exterior, inteiramente revestido em couro.

{backbutton}

Pesquisa:
Fim do conteúdo da página