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Entre as atribuições clássicas do diplomata estão as atividades de representação.

Atividades de representação são cerimônias que marcam momentos importantes da vida política e diplomática, como a posse de um novo presidente ou a celebração de um acordo com um país amigo.

Nessas ocasiões, reúnem-se embaixadores de países amigos e representantes de todo o corpo social e político da nação: os três Poderes da República, as unidades da Federação e os diferentes setores da sociedade brasileira, como empresários, acadêmicos, artistas e lideranças sociais.

Ao longo de mais de 100 anos, os palácios-sede no Rio de Janeiro e em Brasília vêm servindo como eficientes ferramentas para as atividades de representação, com salões adaptados para diferentes formatos de cerimônias e acervos de obras de arte e design que demonstram a riqueza e a variedade das artes e da manufatura brasileira. 

RIO BRANCO E A CONFERÊNCIA INTERAMERICANA DE 1906

Assim que assumiu o Ministério das Relações Exteriores, o Barão do Rio Branco iniciou uma série de reformas nos interiores do Palácio Itamaraty, a fim de projetar a imagem de um Brasil moderno e cosmopolita.

Era a chamada Belle Époque brasileira, de grandes obras como o Theatro da Paz, o Mercado de Ferro, a Avenida Paulista e a Avenida Central do Rio de Janeiro.

Para a III Conferência dos Estados Americanos, o Barão encomendou, na Europa, um conjunto de móveis com o monograma “RE” – Relações Exteriores, um dos primeiros usos da sigla que até hoje identifica o Ministério.

1926-1930 O MOBILIÁRIO NEOCOLONIAL

Nas primeiras décadas do século XX, surge na arquitetura brasileira o movimento neocolonial.

Considerava-se que arquitetos e artesãos do Brasil Colônia haviam reinterpretado de modo original as formas recebidas da metrópole, dando origem a um estilo próprio, digno de figurar junto das diversas escolas nacionais do barroco e do rococó europeias.

No design, esse movimento se refletiu na produção industrial de peças inspiradas no mobiliário colonial. Os interiores do edifício da Biblioteca construída em 1930 foram realizados pela firma Laubisch & Hirth, muitas vezes com cópias de originais do século XVIII.

O GRANDE SALÃO DE RECEPÇÕES – O MOBILIÁRIO PALACIANO DE JORGE HUE E BERNARDO FIGUEIREDO

O Itamaraty de Brasília é um caso único na segunda metade do século XX: mobiliário palaciano inteiramente desenhado por uma escola nacional de designers.

A originalidade se deve a Wladimir Murtinho, que encomendou todos os ambientes de representação a designers brasileiros. A cada criador foi atribuído um espaço.

Os designers tiveram que desenvolver soluções originais de ambientação, pois os salões ultrapassavam os 200m², com quase quatro metros de altura.

Para o grande Salão de Recepções, Hue e Figueiredo conceberam “conversadeiras”, com assentos voltados para os quatro lados e um espaço central para copos e cinzeiros. O móvel era inspirado na borne, sofá circular comum na época de Napoleão III.

Um sofá de grande aparato dominava o salão. Revestido de seda, era coberto, em ocasiões especiais, por um tecido que remetia a azulejos maranhenses, feito por bordadeiras do Morro da Conceição, no Rio. O recurso era inspirado nos faldistórios, assentos eclesiásticos cobertos por almofadas ou tecidos.

Uma mesa elíptica completava o mobiliário fixo, em torno do qual havia móveis volantes.

O PROJETO DE ILUMINAÇÃO DE LÍVIO LEVI

A iluminação do Itamaraty foi o primeiro grande projeto de design de iluminação de Lívio Levi, um pioneiro na atividade em todo o mundo. Foram desenvolvidas várias luminárias, incluindo uma subaquática, que ficaria submersa no espelho d’água externo para iluminar os arcos da fachada. Para o grande Salão de Recepções, Lívio Levi criou uma luminária de pedestal, apelidada “bandeja”, utilizando lâmpadas halógenas nos interiores – uma inovação para a época.

CONVIVIALIDADE

Além das cerimônias oficiais, as atividades de representação incluem a criação de situações informais, nas quais os diplomatas podem discutir de forma livre assuntos da agenda diplomática, examinando novas ideias ou abordando francamente temas difíceis, longe do protocolo das mesas de negociação.

No Itamaraty, junto aos grandes espaços de recepção, existem dois pequenos salões, mais reservados. O confortável mobiliário escolhido por Bernardo Figueiredo para esses espaços cria uma atmosfera convivial propícia a tais conversas.

Duas mesas e uma poltrona foram especialmente desenhadas para os pequenos salões. As peças exemplificam o vocabulário de formas criado por Bernardo Figueiredo para caracterizar o mobiliário desenvolvido para o Itamaraty: colunas de sustentação de seção elíptica; colunas de sustentação curvas, que se afinam na base; e uma interessante combinação de trapézios que dá a impressão de que a forma se torna mais grossa ou fina, conforme o ponto de vista.

BANQUETES OFICIAIS

Em todas as culturas, sentar-se à mesa é uma forma de estreitar vínculos e celebrar a realização de um objetivo comum.

A programação oficial das visitas de delegações estrangeiras sempre inclui um almoço de trabalho ou um banquete noturno, oferecidos pelo país anfitrião. Nessas ocasiões, a comitiva visitante tem a oportunidade de estabelecer contatos diretos com representantes de diversos setores da sociedade local, pois são convidados artistas, empresários, acadêmicos, jornalistas, políticos, entre outros. A distribuição das pessoas à mesa reflete o papel de cada um na organização do Estado: os lugares centrais são ocupados pelo anfitrião e pelo visitante, e os demais participantes são distribuídos de acordo com o grau hierárquico.


PAINÉIS DE PISO
 

O GRANDE TABRIZ E O TAPETE CRAVOS DE MADELEINE COLAÇO

Durante sua missão à Europa, em 1927, Rodolpho Siqueira adquiriu um grande tapete persa Tabriz para a sala de almoços do Palácio Itamaraty.

Por sua importância, o tapete foi trazido para o Itamaraty em Brasília. Para seu lugar na sala de almoço, a tapeceira Madeleine Colaço recebeu a encomenda de realizar um nova peça, nas mesmas dimensões.

MOBILIÁRIO NEOCOLONIAL

Vários móveis neocoloniais comprados durante a reforma Mangabeira foram diretamente inspirados por originais do século XVIII.

O banco de madeira é inspirado em exemplares do acervo do Mosteiro de São Bento no Rio de Janeiro.

O sofá foi criado para fazer conjunto com uma cadeira original do século XVIII, da qual copia todos os ornamentos.

A POLTRONA BARCELONA

A Poltrona Barcelona é um exemplo clássico do estilo internacional em voga na época da construção do Itamaraty. Foi criada, pelo alemão Ludwig Mies van der Rohe em 1929, que se inspirou num antigo móvel de representação romano: a sella curulis.

Em seus projetos para o Itamaraty, os designers brasileiros romperam com esse padrão: desenvolveram um vocabulário de generosas peças de jacarandá, torneadas em formas orgânicas, profundamente identificado com a cultura, a história e os modos de vida do país.

REEDIÇÃO DE PEÇAS

Graças a desenhos localizados nos arquivos Itamaraty, a empresa Schuster recriou dois modelos de Bernardo Figueiredo: a mesa de tampo de cristal (aqui, o exemplar original do acervo do Itamaraty, de 1967) e a poltrona de braços (aqui, exemplar fabricado em 2017).

BURLE MARX

Burle Marx está presente de diversas formas no projeto do Itamaraty de Brasília. Além dos jardins, Burle Marx criou a grande tapeçaria inspirada na vegetação do cerrado do Salão de Banquetes, concebeu arranjos florais para banquetes e desenhou joias dadas como presentes a autoridades estrangeiras, como a Primeira Ministra da Índia, Indira Gandhi, que visitou Brasília em 1968.

Esta tapeçaria, também sobre motivos da flora brasileira, foi tecida pelas detentas da penitenciária de Bangu em 1965.

CADEIRA DE JOAQUIM TENREIRO PARA O SALÃO DE BANQUETES

Para o Salão de Banquetes de Brasília, Joaquim Tenreiro desenhou uma cadeira em latão dourado estofada em veludo vermelho, inspirada na “cadeira estrutural”, um de seus desenhos mais célebres.

As linhas retas e a angulação do assento induziam o ocupante a uma posição ereta. Wladimir Murtinho não hesitava em afirmar que essas cadeiras eram: “rígidas, incômodas, intimidantes: afinal, não se vai a um palácio por brincadeira. É necessário um certo aparato”.

A SALA BAHIA

Bernardo Figueiredo foi o responsável pelo mobiliário de duas salas destinadas a pequenos almoços de trabalho. Numa delas, utilizou uma cadeira de palhinha, inspirada no mobiliário que encontrara em viagens pelo Nordeste. Por coincidência, batizou a cadeira com o mesmo nome do espaço onde seria utilizada: Bahia.

Para as duas salas, Madeleine Colaço confeccionou tapetes em ponto brasileiro. Atribui-se o desenho do tapete da Sala Bahia a Bernardo Figueiredo.

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