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A história das artes cênicas no Brasil remonta ao período colonial, em que os religiosos jesuítas escreviam

“autos” com o propósito de catequizar os povos indígenas e os primeiros colonos. As peças eram encenadas pelos próprios índios e utilizavam elementos da cultura das populações nativas e da fé católica. Além da função evangelizadora, as artes cênicas têm seu desenvolvimento no Brasil Colônia ligado às festas populares, com apresentações improvisadas em tablados montados em praças públicas, que incorporavam danças e o uso de fantasias.

A chegada da família real portuguesa conferiu novo impulso às artes cênicas, com a assinatura por Dom João VI, em 1810, de decreto que reconhecia a necessidade de construção de “teatros decentes”, com vistas a oferecer opções de diversão à nobreza emigrada para o recém-criado Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. A medida abriu espaço para a exibição de grandes espetáculos estrangeiros no país. O desenvolvimento de artes cênicas com uma identidade brasileira, contudo, ocorre apenas após a Independência. O Romantismo e a criação da Comédia de Costumes brasileira são o pano de fundo para a encenação de obras de autores como Gonçalves de Magalhães e Martins Pena, com estética e conteúdo notadamente nacionalistas, quesito em que também se destacou o ator João Caetano, pioneiro em estabelecer uma linguagem brasileira para a arte dramática. O período testemunha, ainda, a diversificação de gêneros (tragédia, comédia e drama), e a presença da temática nacional nas produções intensifica-se, à medida que escritores de renome, dentre os quais José de Alencar e Joaquim Manuel de Macedo passam a escrever para o teatro.

Um dos marcos do desenvolvimento das artes cênicas no Brasil no século XX foi a montagem de Vestido de Noiva (1943), de Nelson Rodrigues, obra que inaugurou a moderna dramaturgia brasileira. A criação do Teatro Brasileiro de Comédia, do Teatro Arena e do Tablado consolidou o processo de renovação técnica do teatro brasileiro, servindo de escola para a formação de grandes atores, atrizes e diretores, como Cacilda Becker, Tônia Carrero, Sérgio Cardoso, Paulo Autran, Fernanda Montenegro e Gianfrancesco Guarnieri, entre outros.

Após a abertura política da década de 1980, as artes cênicas brasileiras tiveram novo impulso, dando ensejo a uma fragmentação estética e à proliferação de manifestações em cidades fora do eixo Rio de Janeiro-São Paulo. Grupos como o Corpo e o Bando de Teatro Olodum introduziram elementos inovadores e conquistaram reconhecimento internacional.

O Itamaraty tem incentivado o processo de internacionalização das artes cênicas brasileiras, como parte da política de divulgação da cultura e promoção da imagem do Brasil. O projeto Nova Dramaturgia Brasileira apoiou a tradução de peças de teatro contemporâneo e a montagem de espetáculos nacionais em alguns dos principais festivais de teatro do mundo, como Avignon e Edimburgo. Os centros culturais que integram a rede de postos do Brasil também promovem oficinas de teatro e a encenação de obras de autores brasileiros. Do mesmo modo, são incentivados os espetáculos de dança, com apoios diversos das embaixadas e consulados a companhias profissionais.

 

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